Me mandem noticias, aonde estão aqueles amigos tão próximos que sabiam o que carregava aqui dentro só de olhar pra mim? Sou uma carta lida por estranhos, uma carta que meus conhecidos desconhecem. Me mandem esperanças, por que é pesado ver o dia findando sem nenhum sorriso sair daqui de dentro. Músculos enrijecidos, passos lerdos, tédio. Não tenho mais assunto, nenhuma lenha pra alimentar conversas e contatos, ando longe do mundo. Mil amigos conheci, disseram adeus; olho em volta e não há ninguém pra segurar minha mão, pra massagear os ombros curvados e tensos, nada que me assegure que a chuva vai passar e o céu vai ficar limpo, vou ficando distante, desisto. O novo perde o brilho antes de chegar as minhas mãos, tirei todos os “meus” daquilo que não me pertencia, mas que queria perto de mim. Abri todas as gaiolas, todas as janelas, dei asas pra que voassem por onde desejar, com olhos inchados, sem esperança de retorno. Então fito o horizonte inflexível, me amarro, nada vaza de mim. Sou alguma coisa surrada escondida na caixinha que fica no armário, a foto esquecida, o brinquedo que ficou no canto.
— N.B.







